Banda: Animal Collective
Disco: Strawberry Jam
Ano: 2012
Gênero: Art Pop, Alternative Rock, Electronic, Experimental Rock, Post-Rock, Neo-Psychedelia, Freak Folk
Faixas:
1. Peacebone (5:13)
2. Unsolved Mysteries (4:25)
3. Chores (4:30)
4. For Reverend Green (6:34)
5. Fireworks (6:50)
6. #1 (4:32)
7. Winter Wonder Land (2:44)
8. Cuckoo Cuckoo (5:42)
9. Derek (3:03)
Músicas de autoria da banda.
Créditos:
Avey Tare (Dave Portner): Vocals, Guitar, Samples, Synth, Keyboards, Bass, Percusion, Piano, Autoharp
Panda Bear (Noah Lennox): Vocals, Drums, Percussion, Samples, Guitar, Synth
Geologist (Brian Weitz): Effects, Samples, Synth, Piano, Hurdy-Gurdy, Percussion
Deacon (Josh Dibb): Guitar, Synth, Vocals, Percussion, Samples, Drums, Bass
Biografia:
Cultivando uma linguagem musical singular e única, a Animal Collective, originalmente formada por um coeso grupo de amigos de infância, tendentes ao experimentalismo, cresceu e se tornou uma banda famosa mundialmente, definindo a cara do rock vanguardeiro independente durante as décadas de 2000 e 2010. O interesse juvenil do início por Pavement, Pink Floyd e Sun City Girls se alargou para abranger sons mais experimentais, à medida que o grupo se desenvolvia e incorporava influências da música eletrônica minimalista, do Krautrock, dos compositores de vanguarda e das trilhas sonoras de filmes de terror. Transferindo-se de Baltimore para Nova Iorque (para que seus integrantes frequentassem curso superior), a Animal Collective se apresentou ao lado de bandas roqueiras de estilo similar ao seu, como Black Dice e Oneida, e lançou álbuns que mudavam de rumo constantemente: de sons experimentais extensos e inquietantes a plácidas e aprazíveis sessões acústicas caseiras.
O reconhecimento da crítica veio com o clássico e extravagante álbum folk Sung Tongs, de 2004, porém o sucesso comercial surgiu através do LP Merriweather Post Pavilion, de 2009, que mostrou dotes de composição no apogeu, maior experimentação em eletrônica e uma dose certa da excentricidade característica do grupo, no âmbito de sua vocação underground. Começando com shows em bares decadentes novaiorquinos e evoluindo para ser a atração principal em renomados festivais de música, a banda permaneceu fiel às origens, mesmo quando seu fã-clube atingiu números inimagináveis, e desafiou os limites do seu som nos álbuns Painting With, de 2016, e Isn't It Now?, de 2023, entre outros.
Um punhado de amigos adolescentes de Baltimore, Maryland, EUA, que descobriram a música juntos na metade dos anos 90, deu vida à Animal Collective. Preocupados menos em pertencer à cena musical da região e mais em conviver em seu próprio hábitat, saindo juntos e explorando sons, os jovens fundadores da banda começaram tocando covers e testando pedais de efeitos antes de começarem a compor suas próprias canções. O grupo abrangia David Portner, Noah Lennox, Josh Dibb, Brian Weitz e outros. A primeira versão do conjunto adolescente indie chamava-se Automine, que chegou a lançar, em 1995, um single de 7" por conta própria.
Mas o núcleo da Animal Collective tomou forma de verdade quando os amigos se separaram e foram para a faculdade, aprofundando-se na música experimental, na cultura vanguardista e em trabalhos solos. Decidindo adotar nomes artísticos, Portner virou Avey Tare e Lennox, Panda Bear. Enquanto residiam em Nova Iorque, os dois, sob a denominação Avey Tare & Panda Bear, gravaram Spirit They're Gone, Spirit They've Vanished, um disco composto, em grande parte, por Portner e lançado em 2000 pela gravadora Animal, pertencente à dupla. No ano seguinte, Weitz (agora usando o pseudônimo Geologist) se uniu ao duo para gravar o segundo álbum, Danse Manatee, e o grupo tratou de se inserir no cenário roqueiro artístico de Nova Iorque.
A banda Black Dice era um dos destaques desse panorama cultural novaiorquino e logo convidou o grupo (ainda batizado de Avey Tare & Panda Bear) para uma longa turnê, que o colocou frente a frente às vertentes mais alternativas da música experimental surgidas no país no início dos anos 2000. Em 2003, saiu o álbum Campfire Songs (com som folk e música ambiental em maior quantidade), resultado de uma colaboração entre Portner, Lennox e Josh Dibb (apelidado de Deakin), antigo membro do coletivo, que estreou nas gravações do grupo.
Embora a volatilidade do lineup nas gravações não fosse uma prática corriqueira em bandas indie, a errática formação acompanharia a banda durante grande parte de sua trajetória, com discos registrados por duos, trios e quartetos. Ainda em 2003, surgiu Here Comes The Indian, um LP que viria a ser conhecido, em retrospecto, como o quarto álbum da Animal Collective, mas o primeiro a apresentar todos os quatro componentes da banda e a ostentar a designação Animal Collective. Isso porque, depois de ganhar cada vez mais visibilidade, o conjunto optou por um nome abrangente que identificasse seu trabalho, no lugar dos múltiplos nomes utilizados até então. Here Comes The Indian, um álbum sombrio e conturbado, lançado em 2003, foi gravado durante um período de exaustivas turnês e transições pessoais, refletindo as vidas tumultuadas dos membros do grupo. No ano seguinte, Lennox e Portner excursionaram, sozinhos, mas usando o nome da Animal Collective, abrindo shows para os grupos Four Tet e múm e tocando canções folk minimalistas centradas em harmonias vocais e interação entre instrumentos acústicos básicos. A turnê se converteu no álbum Sung Tongs, editado em 2004, que levou a Animal Collective a conquistar legiões de novos ouvintes, conforme o misterioso, gracioso e delicado disco fosse recebendo uma onda de críticas favoráveis e se consolidando como exemplo de qualidade do movimento freak folk, em desenvolvimento na época. No mesmo padrão de Sung Tongs, a banda soltou, no princípio de 2005, o EP Prospect Hummer, apresentando uma coleção de músicas em parceria com Vashti Bunyan, reclusa e lendária cantora britânica de acid folk.
O posterior disco longo, Feels, despontou em 2005, aglutinando os quatro integrantes da banda e contando, pela primeira vez, com músicos convidados: o violinista Eyvind Kang e a pianista Kristín Anna Valtýsdóttir. Mais próximo das estruturas musicais convencionais do que qualquer experimentalismo que a banda tivesse executado antes, Feels foi um álbum extático, cheio de radiante psicodelia e sonoridade roqueira inconclusa, porém cativante. Feels inclusive preparou o terreno para o som dilatado que viria com Strawberry Jam, disco de 2007, primeiro lançamento pela gravadora Domino Records. 2007 também seria um ano marcante para a carreira de Panda Bear, através do lançamento do seu terceiro disco solo, Person Pitch, uma colagem maravilhosamente estranha de samples, harmonias vocais e melodias pop, que ofuscou, no terreno da crítica musical, a produção da Animal Collective do mesmo período. Foi o impulso que faltava para o registro fonográfico de Merriweather Post Pavilion, o oitavo álbum do grupo, de 2009, convergindo produção eletrônica aprimorada, apelo pop e iluminada experimentação, que se converteu em seu disco mais acessível até então. O LP figurou no Top 20 americano e chegou ao 26° lugar nas paradas britânicas, tornando a Animal Collective a queridinha da blogosfera internacional e solidificando sua potência comercial. O grupo ocupou-se com turnês durante boa parte de 2009, mas, mesmo assim, achou uma brecha e gravou o EP Fall Be Kind, editado em novembro do mesmo ano.
Em 2010, chegou Oddsac, um "disco visual", contendo uma trilha sonora psicodélica inédita para um filme estrelado pelos componentes da banda e dirigido por Danny Perez. O álbum posterior, Centipede Hz, veio à tona em 2012, seguido, em 2013, do EP Monkey Been To Burn Town, com algumas músicas de Centipede Hz, remixadas.
Projetos paralelos, trabalhos como DJ e assuntos familiares consumiram o tempo dos membros da Animal Collective até seu reencontro, na primavera de 2015, para a gravação de material novo. Evitando reverberação, música ambiental e longas estruturas sonoras, e chamando o álbum, em entrevista à revista Rolling Stones, de "nosso disco dos Ramones", o grupo lançou, em 2016, Painting With, que teve as participações de John Cale e do saxofonista Colin Stetson. Na esteira do álbum, vieram dois EPs: The Painters, de 2017, que complementou Painting With e sequenciou a sonoridade hipermaximalista do disco longo; e Meeting Of The Waters, do mesmo ano, que teve Avey Tare e Geologist revisitando suas raízes musicais, comparativamente mais orgânicas. A banda virou um trio (sem Panda Bear), em 2018, para a gravação do álbum audiovisual Tangerine Reef, em colaboração com a dupla de artes e ciências Coral Morphology, celebrando o Ano Internacional dos Recifes de Corais (o disco foi lançado simultaneamente com o filme homônimo).
Em 2019, para comemorar o décimo aniversário do relevante álbum Merriweather Post Pavilion, o grupo lançou a coletânea Ballet Slippers, compilando performances ao vivo selecionadas do tour de 2009 (feito para aproveitar a fase que muitos consideram o auge criativo da Animal Collective), e incluindo versões expandidas da maioria das canções de Merriweather Post Pavilion, bem como alguns antigos sucessos. A seguir, Deakin e Geologist criaram a trilha sonora do documentário Crestone, filme de estreia da cineasta Marnie Ellen Hertzler, lançado em 2020, e, no ano posterior, o soundtrack da fita se materializou no disco de nome idêntico ao documentário, gravado pela dupla, mas creditado à Animal Collective. O 11º álbum de estúdio, Time Skiffs, foi o primeiro disco desde Centipede Hz no qual o quarteto completo gravou material inédito junto. O LP chegou às lojas em fevereiro de 2022 e seu caótico e vibrante som (nota minha: é difícil saber se o autor do texto se refere à sonoridade do disco ou à sua capa, bastante anárquica e colorida; na dúvida, optou-se pela primeira hipótese) remete a alguns dos primeiros discos da banda. Time Skiffs foi ranqueado na Billboard 200 e alcançou a 24ª posição na parada dos melhores álbuns independentes da mesma publicação.
No ano subsequente, a banda relançou seu álbum de 2000, Spirit They're Gone, Spirit They've Vanished, remasterizado, com nova capa e cinco faixas bônus, tiradas do inédito EP A Night At Mr. Raindrop's Holistic Supermarket, gravado na mesma época de Spirit They're Gone e que contém o cover de Dreams, da Fleetwood Mac.
Isn't It Now?, 12° álbum de estúdio, foi editado em setembro de 2023. A banda retomou o material que começara a compor em 2019, quando escreveu as canções que acabaram entrando em Time Skiffs, mas desta vez, ao invés de montar o álbum remotamente, como aconteceu com Time Skiffs, resolveu buscar o auxílio do produtor Russell Elevado (também produtor de D'Angelo) para a finalização do disco. Isn't It Now? tem 64 minutos de duração, circunstância que o torna o LP de estúdio mais longo da banda até hoje (Fred Thomas, AllMusic; versão livre do inglês).

















