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terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

A.K.A.C.O.D. - Happiness


Banda: A.K.A.C.O.D.
Disco: Happiness
Ano: 2008
Gênero: Alternative Rock, Jazz-Rock, Experimental Rock
Faixas:
1. Happiness (Colley, Ortiz) 5:26
2. Spanish Fly (Colley, Ortiz) 5:19
3. Bad Weather (Colley, Ortiz) 5:25
4. Cheer You On (Colley, Ortiz) 4:54
5. Fifteen Minutes (Colley, Ortiz) 4:15
6. Minor Key (Ortiz) 3:23
7. Sun Burns Out (Colley, Ortiz) 3:51
8. Three Chairs (Ortiz) 3:20
9. DMY (Ortiz) 4:37
10. Caught Staring (Colley, Ortiz) 3:52
11. Hypnotized (Welch) 5:13
12. Yellowest Leaves (Ortiz) 6:16
Créditos (prováveis):
Dana Colley: Saxophones, Guitars, Keyboards, Vocals
Monique Ortiz: Bass, Vocals
Larry Dersch: Drums, Percussion

Resenha:
O fantasma da Morphine pairou sobre esse grupo liderado por Dana Colley. Como saxofonista barítono, Colley dominou a maior parte da sonoridade da banda, com seu estilo jazzístico, groove + rock lento. Ele levou um pouco disso para a Twinemen (pós-Morphine) (nota minha: a discografia da banda já foi postada aqui), que também contou com Billy Conway, baterista da Morphine. Mas, mesmo adicionando a esparsa guitarra de Laurie Sargent ao Twinemen, a vibração mostrou-se inerentemente diferenciada.


Colley manteve uma vocalista feminina para o primeiro disco da A.K.A.C.O.D. (as letras C.O.D. são as iniciais de Colley, da vocalista, compositora e baixista Monique Ortiz e do baterista Larry Dersch), mas abandonou a característica essencial da Morphine, com baixo sem trastes (ocasionalmente com duas cordas), bateria e, principalmente, sax cheio de modulações e reforçado eletronicamente. O resultado é uma sonoridade mais intensa, porém menos jazzística, capitaneada pelo trabalho de Colley, aliado às auspiciosas contribuições de Ortiz. Os vocais de Ortiz assemelham-se aos de Johnette Napolitano, da Concrete Blonde, e quando solta a voz, ela cria uma camada de som densa, pesada, sombria e opressiva, que não se presta a ouvidos muito sensíveis.


O sax de Colley estronda como uma seção de metais inteira e nitidamente direciona o som, mas a voz soturna, gutural e um tanto destacada de Ortiz, mais as letras afiadas, mantêm a música reverberando em tons sombrios de preto e cinza, fazendo coro ao esquema de cores da arte gráfica do CD. A faixa-título de abertura chuta tudo pra cima com uma força estrondosa, brutal, que não tem nada de felicidade (nota minha: um trocadilho com o nome da música), e o disco continua nessa senda arrepiante. Colley e/ou Ortiz compuseram o material, exceto "Hypnotized", um sucesso de Bob Welch, ex-Fleetwood Mac. O solitário cover é uma escolha intrigante e, dada a fixação da banda pela UFO (nota minha: o texto não diz se é a banda, se é a famosa casa noturna londrina ou se é a sigla de "Unknow Flying Object", mas, na dúvida, preferi a primeira opção, porque as outras duas me pareceram um tanto sem sentido), e levando em conta o arranjo, que deve muito a "Fever", de Little Willie John, a faixa integra-se bem com o resto do álbum.


O sax de Colley reverbera como uma sirene de nevoeiro em "Three Chais", entrelaçando-se com as batidas flexíveis do baixo de Ortiz, no meio das ondas de sexo e melancolia que permeiam a letra da canção. É uma perfeita e até mesmo natural extensão do estilo único da Morphine, que vai empurrando a abordagem da banda, assim como já acontecia com a Twinemen, para um terreno obscuro, mais soturno e, por que não dizer, mais sensual, que os admiradores dos dois grupos irão apreciar. Você fica com a sensação de que, em algum lugar, o falecido Mark Sandman está sorrindo (Hal Horowitz, AllMusic; tradução livre do inglês).

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