quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Lou Reed - Walk On The Wild Side: Recorded Live! New York 1972

Cover
Músico: Lou Reed
Disco: Walk On The Wild Side: Recorded Live! New York 1972
Ano: 2011
Gênero: Hard Rock, Classic Rock
Faixas:
1. White Light White Heat (3:46)
2. Vicious (3:21)
3. Sweet Jane (4:46)
4. I'm Waiting For The Man (7:02)
5. Walk And Talk It (4:04)
6. Heroin (8:43)
7. Satellite Of Love (3:50)
8. Walk On The Wild Side (5:53)
9. Berlin (6:00)
10. I'm So Free (3:32)    
Músicas de autoria de Lou Reed.
Créditos:
Lou Reed: Vocals
The Tots:
Vinny LaPorta: Guitar
Eddie Reynolds: Guitar
Bobby Resigno: Bass
Scottie Clark: Drums
Postagem Postagem

Biografia:
Nome verdadeiro: Lewis Allen Rabinowitz. Nascido em 2 de março de 1942, no Brooklyn, em New York City, New York, EUA. Integrante de várias bandas na escola, Reed fez sua primeira gravação com a Shades, em 1957. A música "So Blue", composta por ele, desfrutou de breve notoriedade após ser executada pelo influente disc jockey Murray The K, mas perdeu-se na infinidade de singles independentes lançados na época. Formado pela Universidade de Syracuse, Reed conseguiu emprego como compositor na Pickwick Records, especializada em gravações manipuladas, feitas sob encomenda. Entre as músicas que compôs então, destaca-se a irônica e dançante canção "The Ostrich" (1965), que impressionou tanto a direção da gravadora que Reed formou a Primitives para promovê-la como um single. A Primitives também abrigava John Cale, conhecido recente de Reed, plantando assim as primeiras sementes da Velvet Underground, proeminente banda que Reed liderou durante quatro anos (1966 a 1970), contribuindo com quase todo o repertório do grupo e moldando-lhe o estilo. As melodias de Reed calcaram-se, na maior parte, nos eficazes parâmetros do R&B, enquanto suas aguçadas letras apresentavam uma visão mordaz da vida urbana contemporânea.

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A saída de Reed ocasionou um vácuo criativo na banda, que também o contagiou, levando-o a procurar emprego fora do cenário musical, e dois anos se passaram até Lou Reed, seu primeiro disco solo, ser lançado. Gravado em Londres, com músicos do Reino Unido, incluindo Steve Howe e Rick Wakeman, ambos da Yes, o álbum ostentava algumas excelentes canções (muitas das quais foram programadas para a Velvet Underground), mas prejudicou-se pela produção confusa. No entanto, a subseqüente turnê pelo Reino Unido com a Tots, um grupo de adolescentes nova-iorquinos, representou um sucesso artístico. David Bowie, persistente admirador da Velvet Underground, supervisionou Transformer, que capturou um predominante clima de decadência. Apesar de irregular, o disco continha a clássica "Walk On The Wild Side", homenageando os transexuais e desajustados sociais delineados pelo artista plástico e cineasta Andy Warhol. O sucesso da canção surpreendeu, atingindo o Top 10 do Reino Unido e o Top 20 americano em 1973, mas Reed recusou-se a tornar-se refém da específica temática e retomou, em Berlin, a faceta amargurada que o caracterizou. Trilhando o caminho do sadomasoquismo, suicídio e niilismo, o artista expurgou a recém-adquirida comercialidade e desafiou seu público com uma fórmula que poucos contemporâneos de Reed ousaram empregar. Foi um tempo, porém, marcado pela autoparódia, e, enquanto uma banda de craques, centrada nos guitarristas Dick Wagner e Steve Hunter, esbanjava musculatura em Rock n Roll Animal, gravado ao vivo, Sally Can't Dance mostrou um artista desprovido de sentido e propósito.

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Após um segundo álbum ao vivo, Reed lançou o hermético Metal Machine Music, um trabalho eletrônico e atonal espalhado ao longo de dois discos. Atacado pelos críticos, as vibrações sonoras mal-sincronizadas do disco têm sido saudadas desde então por elitizados setores da comunidade avant garde, ao passo que outros veem o álbum como uma travessura de Reed, elaborado para afastar de si, definitivamente, a hipótese de abraçar uma carreira convencional. Seguiu-se o sereno Coney Island Baby, contendo simples e agradáveis canções, acompanhadas do indefectível charme, depois diluído em Rock 'N' Roll Heart, uma seleção inconsequente e descuidada e, do ponto de vista artístico, desastrosa. Todavia, Hassle Street, o disco posterior, exibiu rejuvenescido vigor, retomando a empatia do cantor com as subculturas de Nova York. A faixa-título, mais tarde regravada pela Simple Minds, mostrou-se deveras impressionante, enquanto "Dirt" e "I Wanna Be Black" apresentaram um sarcasmo ausente há muito tempo no trabalho solo do artista. Embora os discos ulteriores, The Bells e Growing Up In Public, não tenham atingido dimensões semelhantes, evidenciaram uma arejada maturidade.

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Reed ingressou na década de 80 com uma performance mais energética e incisiva, impulsionado por uma associação muito proveitosa com o guitarrista Bob Quine (nome verdadeiro: Robert Quine, nascido em 30 de dezembro de 1942, em Akron, Ohio, EUA, e falecido em 31 de maio de 2004, em Manhattan, New York City, New York, EUA), ex-integrante da Voidoids, de Richard Hell. The Blue Mask foi outro disco importante e definiu um padrão para o poderoso e conciso material encontrado em Legendary Heats e Mistrial. Entretanto, apesar da repercussão alcançada pelos últimos trabalhos, alguns comentaristas preferem apontar New York, de 1989, como o renascimento artístico de Reed. Ali imperou o minimalismo sonoro, acentuando-se a pulsação rítmica das composições, focadas na escória e cantadas por Reed em formato de crônica. As letras, alternando entre o pessimismo e o cinismo, reafirmaram a chama dos seus melhores trabalhos, recuperando-lhe o poder de pintar figuras moribundas que nunca pedem nem recebem piedade. New York revelou-se um esplêndido retorno à melhor forma de Reed e criou um considerável interesse pelo seu pretérito catálogo. Songs For Drella, do ano seguinte, com participação de John Cale, serviu como inesquecível epitáfio para Andy Warhol, e o clima pessimista do disco transmitiu-se por inteiro para o soberbo Magic And Loss, um álbum inspirado pela morte do lendário compositor Doc Pomus. Os dois discos escancararam mais uma vez a comovente regeneração do talentoso artista, que o colocou de volta à vanguarda do rock.

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Em 1993, Reed juntou-se novamente a seus lendários colegas para uma reunião com grande pompa da Velvet Underground. Apesar da curta duração do reencontro (rumores de uma antiga rixa com Cale voltaram à tona com abundância), Reed tinha a vantagem de recolocar de pé a sua carreira solo. Set The Twilight Reeling apresentou o músico num clima extremamente alegre, talvez inspirado pela parceria romântica com Laurie Anderson, embora ainda fosse capaz de causar polêmica com a satírica "Sex With Your Parents (Motherfucker)". Anderson também apareceu, na companhia de outros cantores convidados, na versão cover de "Perfect Day", de Reed, lançada em 1997 para divulgar a Rádio e Televisão BBC. Perfect Night documentou um concerto no Royal Festival Hall, de Londres, em 1996. Ecstasy recebeu algumas críticas favoráveis, em que pese a desigualdade: muito bom em algumas faixas ("Paranoia Key Of E", "Baton Rouge") e pobre em outras, notadamente a longa (18 minutos) "Like A Possum". A primeira gravação de Reed no século XXI, um épico multimídia inspirado na obra escrita no século XIX por Edgar Allan Poe, estampou um trabalho igualmente heterogêneo. Em julho de 2004, Reed reapareceu no Top 10 do Reino Unido, graças à remixada "Satellite Of Love", do álbum Transformer, elaborada pela equipe londrina Dab Hands.

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O trabalho futuro de Reed será sempre analisado e dissecado pelos críticos de rock, jovens e velhos; ele foi, afinal, um dos mais importantes poetas do rock da era moderna. Exerceu uma imensa influência, e sua capacidade de surpreender esteve sempre prestes a manifestar-se (nota minha: contrariando o texto original, coloquei os verbos do último parágrafo no passado, pois, conforme amplamente noticiado, Lou Reed morreu no dia 27 de outubro de 2013, de complicações decorrentes de um transplante de fígado) (The Encyclopedia Of Popular Music. Compiled and edited by Colin Larkin. New York: Omnibus Press, 2007, pp. 1163-4; tradução livre do inglês).

2 comentários:

Anônimo disse...

Parabéns pelo blog.

Musicômano disse...

Obrigado, anônimo. Grande força. Um abraço.

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